Alguns dos mais renomados chefs de cozinha do Brasil, participantes do evento gastronômico “Ver-o-peso da Cozinha Paraense” – Ano 10”, visitam a Embrapa Amazônia Oriental (Belém/PA) na manhã desta sexta-feira (13), para provar ingredientes típicos da culinária paraense transformados em produtos de agroindústria pela instituição.
Durante a visita, o grupo degustará o azeite de tucumã, três blends tropicais (sucos mistos de frutas da região), o cupulate (chocolate feito com cupuaçu), mel de abelha nativa sem ferrão e hidromel.
O azeite de tucumã – que de todos os produtos no cardápio é o menos conhecido - é rico em carotenóide. É semelhante ao azeite de dendê, mas de constituição mais fina que este. Sua coloração varia do amarelo claro ao laranja escuro. O produto surgiu durante as pesquisas para avaliar a utilização do tucumã como fonte de matéria-prima para produção de biodiesel. “A semelhança com o dendê levou a testes sensoriais. Formulamos um vatapá com azeite de tucumã e comprovamos a possibilidade do seu uso culinário”, conta a pesquisadora Laura Figueiredo Abreu, supervisora do Laboratório de Agroindústria da Embrapa.
Os chefs vão experimentar também o Blend Tropical (taperebá, maracujá e acerola), o suco tropical misto de açaí-cupuaçu-acerola e o blend graviola+camu-camu. “São produtos 100% saudáveis, sem conservantes, de sabor diferenciado e exótico, que unem as propriedades sensoriais e, principalmente, nutricionais dos frutos adicionados em cada mistura”, destaca a pesquisadora Rafaella Mattietto.
A mistura de graviola e camu-camu, por exemplo, em apenas 100 ml do produto já pasteurizado fornece um teor de vitamina C seis vezes maior que o recomendado pela Anvisa para adultos saudáveis. Além dos sucos tropicais mistos selecionados para a degustação durante a visita, a Embrapa já formulou blends de acerola-graviola; cupuaçu+camu-camu+guaraná e o blend de maracujá com resíduos do processamento do abacaxi.
O cupulate é o chocolate feito com cupuaçu e não com cacau. A Embrapa Amazônia Oriental desenvolveu o produto e a instituição detém a patente desde 1999. Para sua fabricação, como explica o pesquisador Marcus Marçal de Vasconcelos, as sementes recém-despolpadas do cupuaçu são levadas para caixas de fermentação por até sete dias. Depois são secas de forma natural ou artificial de forma higiênica e adequada. Têm o tegumento e o gérmen separados dos cotilédones antes ou depois da torração (depende do processo). Os fragmentos dos cotilédones são triturados e moídos assumindo uma textura de massa fluída (líquor). “Esse líquor é usado em diferentes formulações para a produção do produto similar ao chocolate. No caso do preparo do cupulate branco, utiliza-se basicamente a gordura extraída das amêndoas em formulações para dar sabor e textura adequados”, descreve o pesquisador.
Os chefs em visita à sede da Embrapa em Belém participam do evento “Ver-o-Peso da Cozinha Paraense – Ano 10”, promovido pelo restaurante Lá em Casa em conjunto com a Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança.
Izabel Drulla Brandão (MTb 1084/PR)
Embrapa Amazônia Oriental
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